As armas do setor de serviços para enfrentar a crise do coronavírus

Embora, de uma forma geral, as primeiras medidas anunciadas pelo governo federal em auxílio às empresas e seus funcionários frente à pandemia da Covid-19 tenham obtido repercussão positiva, diferentes segmentos ligados à CEBRASSE demonstram estar contando bem mais com a sua própria vocação de superar dificuldades para manter um olhar positivo em relação ao futuro.
Dizendo-se decepcionado com o fato de o governo paulista vir prolongando em demasia o fechamento de vários tipos de comércio, o presidente do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação no Estado de São Paulo (Seac-SP), Rui Monteiro, não disfarça sua satisfação pela agilidade com que sua entidade reagiu, antes mesmo de qualquer providência oficial ser tomada.
“Eu tenho o orgulho de dizer que fomos pioneiros ao fechar um acordo coletivo com o sindicato e a federação laborais no sentido de flexibilizar algumas situações dos contratos de trabalho atuais para que as empresas, naquele momento em que foi deflagrado o fechamento de tudo, já estivessem com todas as contingências atendidas”, explica.
Outra área que não limita suas esperanças de recuperação a medidas oficiais é o turismo, justamente uma das que mais vêm sofrendo desde o início da pandemia.
Além das Medidas Provisórias relacionadas à manutenção de empregos, o diretor da Confederação Nacional do Turismo (CNTur) Virgílio Carvalho recebeu de bom grado a MP 948, por ter criado condições especiais para a eventual devolução de valores aos clientes em virtude de programações e eventos cancelados.
Já a MP 927 o preocupa bastante, pois restringe a possibilidade de emendas e pontes de feriados quando as viagens voltarem à rotina das pessoas.
Para não ficar à mercê de altos e baixos assim, o setor está planejando ações especiais como a explicada com indisfarçável entusiasmo por Virgílio. Trata-se de um projeto já em desenvolvimento para fomentar visitas dentro do próprio estado de São Paulo, com vistas a aumentar a ocupação dos hotéis nas instâncias climáticas.
“Os idosos, com recursos de suas aposentadorias, estarão cansados de ficar em casa e vão querer fugir para os locais mais próximos, onde haja segurança em todos os sentidos, daí estarmos procurando parceiros entre planos de saúde”, detalha o dirigente.
COMUNICAÇÃO
Mas as artes de negociar e planejar não são as únicas que a área de serviços está cultivando mais do que nunca neste momento crucial.
A prática de manter as bases muito bem informadas sobre estratégias e diretrizes a adotar tem sido uma constante em entidades como o Sindicato das Empresas do Serviço Terceirizado e do Trabalho Temporário no Estado de São Paulo.
“Diante da crise provocada pelo novo coronavírus, que demandou ações emergenciais de restrição da circulação de pessoas e, consequentemente, trouxe um cenário de incertezas e insegurança para as empresas, o Sindeprestem prontamente se colocou à disposição do empresariado, acompanhando o desenrolar dos acontecimentos, a fim de amparar a categoria e orientar o filiado a proteger seu negócio e seus empregados”, afirma o presidente Vander Morales.
Todo esse trabalho de orientação tem se materializado por meio de comunicados, pareceres e informativos jurídicos diários, encaminhados aos associados e filiados.
“Quando oportuno, também nos comunicamos com autoridades como a Secretaria do Trabalho, prefeituras e governo por meio de ofícios para, por exemplo, propor a classificação da categoria como serviço essencial, solicitar o parcelamento das verbas rescisórias ou incluir a categoria na MP 944, que instituiu o Programa Emergencial de Suporte a Empregos”, acrescenta o dirigente.
A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac) tem trilhado caminho semelhante ao promover reuniões por videoconferência com as equipes das assessorias jurídicas dos sindicatos filiados de todo o país.
A finalidade, de acordo com a sua assessoria de comunicação, é atualizar, munir de informações e dirimir dúvidas sobre as medidas provisórias recém-publicadas, já estando a próxima agendada: 17/4, sexta-feira, às 10 horas.
Comunicar-se da melhor forma possível tem sido igualmente palavra de ordem na Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), cujos associados têm sido obrigados a lidar com a substituição de aulas presenciais por remotas, supressão parcial do calendário letivo e a incômoda polêmica sobre a possível redução de mensalidades.
É justamente sobre este último ponto que a entidade tem focado seus esforços de comunicação, pois recomenda com veemência a negociação direta e individual dos estabelecimentos de ensino com os pais e responsáveis, “para a concessão de parcelamentos, abatimentos ou mesmo a postergação do pagamento, caso a instituição possa acolher o pedido, até normalizar a situação, já que o corte linear iguala os desiguais e inviabiliza soluções para quem precisa”, recomenda um dos últimos informes expedidos pela entidade.
De acordo com o documento, que leva a assinatura do presidente Ademar Batista Pereira, descontos generalizados previstos em projetos legislativos vêm gerando insegurança jurídica, além de indicar o surgimento de grande número de ações na Justiça.
Igualmente precavida, especialmente por lidar há décadas com a histórica escassez de crédito enfrentada pelas micro e pequenas empresas, a área de fomento comercial também tomou medidas para minimizar o impacto da pandemia nos negócios.
Representante de mais de 2 mil factorings, securitizadoras de crédito e Empresas Simples de Crédito (ESC), o Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring no Estado de São Paulo (Sinfac-SP) criou no final de março um Gabinete de Crise, composto por diretores e empresas associadas e não associadas à entidade, que cresce a cada dia.
Diariamente, esses membros divulgam ao Sindicato porcentagens relacionadas, por exemplo, a índices de liquidez e de operações comparados com entradas de caixa, números com os quais é feita uma média ponderada no período.
“O nosso Gabinete de Crise tem atuado consistentemente desde os seus primeiros dias, conseguindo mensurar o andamento dos negócios, projetar números e cenários, debater soluções, desenvolver estratégias e promover a interlocução de ideias e demandas com o poder público, o mercado e as entidades laborais”, explica o presidente Hamilton de Brito Junior.

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