Crédito, palavra-chave para a superação da crise

Empresa que continuar respirando certamente terá de oxigenar suas finanças durante e depois da pandemia

Portas fechadas e métodos alternativos para continuar funcionando diante de circunstâncias especialíssimas, iniciadas há mais de um mês em todo o País, já afetaram ou certamente ainda vão comprometer a saúde financeira dos mais diversos setores.

Serviços não haveriam de ser exceção, pelo contrário, tendo em vista estar justamente na área grande parte das atividades diretamente ligadas à livre circulação de pessoas, um dos aspectos mais combatidos pelo Ministério da Saúde e parte dos governos estaduais, em nome de uma expansão da Covid-19 condizente à capacidade de atendimento de nossos hospitais e UTIs.

A grande dúvida em toda essa equação é quanto tempo resistem empresas sem clientes e que, ao buscar recursos no mercado financeiro, esbarram em burocracia excessiva, além de ouvir um sonoro não em boa parte das vezes.

Os próprios empresários deram uma estimativa desta sobrevida em pesquisa recém-divulgada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, na qual empresas atualmente inoperantes esperavam ser capazes de pagar suas contas durante, em média, mais 23 dias.

Tão preocupante quanto este dado levantado pelo SEBRAE, junto a 6.080 empreendedores, é o de que 60% dos pequenos negócios que buscaram empréstimo desde a oficialização da pandemia tiveram o pedido negado, mesmo mostrando aos bancos como motivo da solicitação uma queda de faturamento média da ordem de 75%.

INICIATIVAS

Para tentar reverter este cenário, o próprio SEBRAE, em conjunto com a Caixa Econômica Federal, anunciou nesta segunda-feira (20), durante live realizada em Brasília, linha de crédito de R$ 12 bilhões destinada a pequenas empresas, com recursos do Fundo de Aval para as Micro e Pequenas Empresas (Fampe).

“Um dos maiores obstáculos no acesso dos pequenos negócios ao crédito é a exigência de garantias feita pelas instituições financeiras. Nesse sentido, o Fampe funciona como um salvo-conduto, que vai permitir aos pequenos negócios, incluindo até o microempreendedor individual, obterem os recursos para capital de giro, tão necessários para atravessarem a crise provocada pela pandemia do Coronavírus, mantendo os negócios e os empregos”, explica o presidente do SEBRAE Nacional, Carlos Melles.

Em matéria de iniciativas setoriais em prol da facilitação do crédito para as PME, chama a atenção programa que vem sendo realizado, desde o ano passado, pela Secretaria do Turismo do Estado de São Paulo, em parceria com o Desenvolve SP, arregimentando bancos oficiais e hoje também o Banco do Povo, cuja especialidade é o crédito para Microempreendedores Individuais (MEI).

“Em apenas cinco meses foram aprovados 19 projetos, totalizando R$ 321milhões, ou seja, usamos só naquele período mais de 30% do total de R$ 1 bi anunciado à época pelo governador João Doria”, comemora o gestor de financiamento de investimentos da Setur, Eduardo Madeira.

Autor da cartilha “Passo a Passo do Pedido de Financiamento do Desenvolve SP”, também conhecido como o Banco do Empreendedor, o economista garante que, diante da crise do novo coronavírus, o foco do programa foi direcionado prioritariamente à geração de recursos para capital de giro, ao invés de investimentos. A quem busca recursos, o especialista lembra algumas regras básicas como priorizar o banco onde se tem uma história de relacionamento; renegociar e prolongar dívidas já existentes e, sobretudo, obter crédito de forma consciente, isto é, sem valores super ou subestimados, que devido à falta de planejamento ou disciplina, muitas vezes só criam problemas piores ainda pouco tempo depois.

Por Wagner Fonseca para a CEBRASSE NEWS – www.cebrasse.com.br

https://www.sinfacsp.com.br/informativos

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