O lado bom da LGPD para quem é assessor de imprensa

Novos tempos trazidos pela Lei nº 13.709/18, em vigor desde setembro último, sugerem abordagens menos invasivas e mais produtivas

Embora, infelizmente, em pouco deva afetar a desastrosa venda de listas contendo CPF, CNPJ, resumo de declaração de renda e outros dados sigilosos em plenas ruas e praças das grandes cidades brasileiras, a recente entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais tende a mexer profundamente com as demais relações, embasadas na boa-fé.

O impacto desta nova realidade também afeta o mundo da comunicação corporativa, por meio de restrições inéditas já impostas à livre circulação de números de telefones, e-mails e até endereços dos jornalistas com o poder de decidir o aproveitamento ou não das dezenas de press releases e sugestões de pauta enviados diariamente às redações.

Se num primeiro momento isto poderia parecer danoso ao trabalho de quem precisa mostrar que sua notícia é digna de atenção, existe um aspecto nesta questão que pode, muito bem, repercutir favoravelmente para quem de fato se esmera na arte de fazer uma boa divulgação via assessoria de imprensa.

Aquela ação batidíssima de alguém telefonar para o jornalista e perguntar se o release a ele enviado foi lido, se agradou, se pairou alguma dúvida ou se já é chegado o momento épico de agendar uma entrevista com o cliente, encontrava-se em franco desuso antes mesmo da LGPD, mas agora tem tudo parta desaparecer.

Além do bom-senso e do reconhecimento do quanto ser insistente, e às vezes até inconveniente, faz mal à imagem das agências de comunicação e seus clientes, há motivos de sobra para se mudar tal conduta, a partir da própria tecnologia, que de tão mal-usada acabou sendo inibida.

Por exemplo, praticamente todos os softwares de mailing list de imprensa mostram instantaneamente quem abriu as mensagens, e até quantos cliques foram dados sobre as imagens eventualmente atachadas, mas agora não podem mais informar a ficha completa desses profissionais da mídia, como antes faziam.

Assim, só mesmo as informações inéditas, relevantes e bem tratadas na forma e no conteúdo com que forem redigidas tendem a chegar à sua majestade o leitor, verdadeira razão de ser daquilo que se produz nos bastidores, tanto dos veículos quanto das agências de assessoria de comunicação.


Embora facilmente presumível, esta lógica nem sempre prevaleceu nas relações entre empresa e imprensa.  Agora, só resta esperar que a LGPD seja um fator adicional importante para uma convivência mais racional e madura neste campo, pois os jornalistas de assessoria de imprensa e os de redação felizmente parecem começar a perceber a dependência mútua existente entre ambos os lados deste mesmo ‘balcão’.


 
(*) Wagner Fonseca é jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero e sócio-fundador da Reperkut Comunicação

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